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  • Luciano Cajado

A Nova Era Social : como tecnologias exponenciais e plataformas transformam os modelos de negócio

Atualizado: 16 de jun. de 2021

Na Era Industrial, as estratégias tradicionais baseadas nos modelos de vantagem competitiva de Porter reinaram durante muitos anos encorajando cada organização a ser única, a crescer sua base de ativos para ser escalável no lado do fornecimento e criar barreiras de entrada e poder de barganha na cadeia, pressupondo um cenário competitivo conhecido e com os clientes posicionados como um elemento externo da empresa.

Nesse modelo, o valor é gerado ao se possuir mais terras, mais equipamentos, mais máquinas, mais pessoas norteando as relações de poder, a forma como a sociedade é medida e o modelo de produção. Uma quantidade x de trabalho exige y recursos: número de médicos por habitantes, preço por m2, PIB per capita etc. Esse pensamento linear, sequencial e incremental gera organizações lineares baseadas em controle, hierarquia e estabilidade de processos com baixa tolerância a tomada de risco e mudança de status quo.

A consequência, como diz Clayton Christensen, em seu livro o Dilema da Inovação é que essas organizações dificilmente trarão disrupções em seus negócios e geralmente não conseguem perceber mudanças relevantes ocorrendo em seus setores por empresas mais ágeis e que não eram nem ao menos percebidas em seu mapa de concorrência.

Isso se tornou ainda mais verdadeiro com os avanços tecnológicos conquistados nas últimas décadas e especialmente nos últimos 15 anos que tem viabilizado novos modelos de negócio e estão transformando radicalmente a sociedade e a forma como fazemos negócios e nos relacionamos.

O surgimento do Iphone embutiu nos smartphones sensores e uma explosão de funcionalidades através do uso de apps que como citado no livro Organizações Exponenciais, digitalizou, desmaterializou, desmonetizou e democratizou a produção e o acesso a vários bens físicos disruptando vários setores da indústria ao mesmo tempo. Hoje não precisamos carregar mais máquinas fotográficas digitais, lanternas e aparelhos de GPS e não sabemos o valor monetário dessas funcionalidades em nossos aparelhos.

Enquanto, algumas empresas foram afetadas por essas mudanças, outras aproveitaram as novas oportunidades, como a startup israelense Waze que criou um modelo de crowdsourcing de informações gratuitas usando o posicionamento dos GPSs dos smartphones dos cidadãos para competir com a Navtek que fazia o serviço de monitoramento de tráfego com um investimento altíssimo em sensores instalados em mais de 400 mil KM espalhados em 13 países da Europa. Como resultado, em 2013, a Waze era comprada por U$ 1 bilhão pela Google enquanto a Nokia via seu valuation cair de U$ 140 bilhões para U$ 8,2 bilhões quase o mesmo valor que havia pago pela Navtek anos antes.

A computação em nuvem de baixo custo da AWS viabilizou mudanças radicais na indústria de software e uma revolução, ainda em curso, das Plataformas de Negócios e seus efeitos exponenciais de rede como modelo econômico de alcance global. Como parâmetro dessas mudanças, em 1995 criar uma startup no Vale do Silício custava U$ 15 milhões de dólares direcionados para investimentos em tecnologia e pessoal, em 2005 já com custos marginais da infraestrutura tecnológica em nuvem, havia caído para U$ 4 milhões direcionados para marketing e vendas e hoje com o avanço das mídias sociais esse mesmo esforço custa menos de U$ 100 mil.

São inúmeros os paradigmas mudados com essas transformações. As barreiras de entrada e as forças competitivas mudam da escala do lado do fornecimento e da posse da propriedade para o poder do acesso e controle da informação e escala no lado da demanda. Usando o modelo de Startup Enxuta de Eric Ries e uma mentalidade exponencial, "Davis" espalhados em pequenas garagens em qualquer lugar do mundo podem enfrentar "Golias" da economia tradicional engessados em suas bases de ativos intensivas em capital.


A AirBnB é um exemplo clássico de plataforma sem ativos físicos que se beneficiou da economia compartilhada baseada em informação para superar seus concorrentes na economia real. No Brasil, os unicórnios Ifood e Loft são exemplos de startups que basearam seus modelos em plataformas de informação acelerando seu crescimento. Em modelos de plataformas de negócios, a capacidade de nutrir e facilitar interações qualificadas entre produtores (ex. donos de quarto) e consumidores (ex. hóspedes), desenvolve um senso de comunidade e um ciclo de engajamento que acelera a atração espontânea de novos clientes criando um motor de crescimento exponencial.

Como reflexão final, os avanços alcançados pela humanidade tem permitido uma transição de modelos de escassez e controle de recursos para modelos de abundância baseados em plataformas de informação onde o fator de diferenciação competitiva não é mais o acesso à tecnologia, a propriedade ou o capital, mas a mudança da mentalidade linear, sequencial e incremental da estratégia tradicional para uma mentalidade exponencial numa nova Era Social onde o poder estará concentrado naqueles que possuem a capacidade de gerar valor pela influência e orquestração das conexões entre pessoas e ecossistemas.


E você e sua empresa como têm combinado o uso de tecnologias, informações e uma mentalidade exponencial para ter modelos de negócios competitivos e sustentáveis na Era Social?



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